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19/08/2026

Os lucros cresceram. Agora é a vez de valorizar os bancários

Desde o início da campanha salarial, temos deixado claro que a categoria não aceitará que não haja avanços concretos em temas fundamentais, como reajuste salarial, valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e recomposição dos vales refeição e alimentação. Essas reivindicações não surgiram por acaso. Elas refletem o que os próprios bancários apontaram na consulta nacional que orientou a construção da pauta de negociações: 93% dos participantes indicaram o aumento real dos salários como prioridade; 63% defenderam a ampliação da PLR; e 51% consideraram essencial um reajuste maior para o vale-refeição e o vale-alimentação.

Demandas dos bancários são viáveis
Os números do setor financeiro comprovam que essas demandas são plenamente viáveis. Entre 2003 e 2025, o lucro líquido dos maiores bancos brasileiros cresceu 178% acima da inflação. Apenas em 2025, os cinco maiores bancos registraram lucro de R$ 124 bilhões, destacando que o patamar de rentabilidade continua extremamente elevado e muito superior ao de outros segmentos da economia.

Os bancos seguem entre as atividades mais rentáveis do país. Em 2025, enquanto os patrimônios líquidos somados dos setores de eletroeletrônica e mecânica alcançaram R$ 48 bilhões, o patrimônio líquido do setor bancário chegou a aproximadamente R$ 1,2 trilhão — cerca de 25 vezes superior.

Vale-refeição maior
Outra reivindicação urgente diz respeito aos auxílios alimentação e refeição. O vale alimentação perdeu poder de compra nos últimos anos e já não acompanha a evolução do custo dos alimentos nas principais cidades brasileiras. Para restabelecer a mesma relação existente em setembro de 2019 entre o valor do benefício e o custo da cesta básica calculada pelo Dieese, seria necessário um reajuste de aproximadamente 40%, elevando o valor mensal de R$ 924,47 para R$ 1.293,73.

Em relação ao vale-refeição, levantamento realizado em cinco municípios que concentram cerca de metade da categoria bancária — São Paulo, Brasília, Osasco, Rio de Janeiro e Belo Horizonte — mostra que o custo médio de uma refeição já supera o valor diário de R$ 53,33 pago atualmente. Atualizar esses benefícios é essencial para preservar o poder de compra e a qualidade de vida dos trabalhadores.

Desigualdade na distribuição
Ao mesmo tempo, os dados revelam uma enorme desigualdade na distribuição da riqueza gerada pelos bancos. Segundo os Formulários de Referência encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a remuneração média anual dos integrantes das diretorias estatutárias de quatro dos maiores bancos do país alcança R$ 10,3 milhões por executivo. Esse montante equivale a aproximadamente 120 vezes a remuneração anual de um escriturário, considerando salários, 13º, férias, vales e PLR.

Os bancários contribuíram decisivamente para que o sistema financeiro brasileiro alcançasse níveis recordes de rentabilidade, mesmo diante de crises econômicas, transformações tecnológicas e mudanças profundas na forma de atendimento à população. Valorizar esses trabalhadores não é apenas uma questão de justiça. É reconhecer que a alta rentabilidade dos bancos é resultado direto da dedicação de milhares de profissionais que garantem diariamente o funcionamento de um dos setores mais lucrativos da economia brasileira.

Esperamos que, nas novas rodada de negociações, a Fenaban apresente propostas compatíveis com essa realidade. A categoria bancária merece respeito, valorização e uma participação mais justa na riqueza que ajuda a construir.

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