Vale confirma compensação financeira a ex-conselheiro que renunciou sob pressão da Previ
Empresa diz à CVM que assinou contrato de não confidencialidade e não difamação. Política de remuneração da mineradora não prevê benefício pós emprego a membros do conselho (Por Nicola Pamplona)A Vale confirmou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) que vai pagar compensação financeira ao ex-conselheiro Daniel Stieler, que renunciou no início da semana em meio a pressão da Previ, o fundo de previdência dos funcionários do Banco do Brasil.
A compensação foi questionada na autarquia por um investidor, considerando que a política de remuneração da mineradora não prevê esse tipo de benefício a membros do conselho de administração. Na quarta-feira (8), a CVM abriu processo para investigar o tema.
Em resposta, a Vale disse que celebrou com Stieler um contrato de "não competição, não solicitação, não difamação e confidencialidade pelo período de 24 meses, tendo em vista o amplo acesso que teve a informações confidenciais e estratégicas do Grupo Vale durante o exercício de suas funções".
"Por se tratar de desligamento não planejado, ocorrido enquanto havia temas estratégicos ainda em maturação no âmbito de suas funções", justificou a companhia, "tornou-se necessária a adoção de cuidados adicionais no processo de transição". O mandato do executivo venceria em abril de 2027.
A própria empresa, porém, reforça no texto que sua política de remuneração para o conselho de administração não prevê benefícios pós-emprego ou de cessação de cargo. O contrato com Stieler, afirma, é "um instrumento específico e extraordinário".
A Vale não informou o valor que será pago a Stieler, que ocupava a presidência do conselho de administração. Em 2025, ele recebeu R$ 3.227.961, o equivalente a cerca de R$ 268 mil por mês, segundo documento apresentado pela companhia a investidores no início do ano.
Disse apenas que os valores da compensação "foram objeto de análise por empresa internacionalmente reconhecida" e que "estão em linha com as práticas de mercado e com os objetivos pretendidos pela companhia para situações dessa natureza".
As informações foram dadas no início da manhã desta quinta (9) em resposta a questionamento da CVM em investigação provocada por reclamação do investidor Renato Chaves, especialista em governança corporativa.
Procurada nesta quinta, ainda não respondeu a novo pedido de esclarecimentos sobre o tema.
A CVM não dá detalhes do processo. A Folha apurou que, nele, Chaves questiona descumprimento do artigo 154 da Lei das SA, que proíbe a prática pelos administradores de atos de liberalidade às custas da companhia.
Maior acionista individual da Vale e responsável pela indicação de Stieler ao conselho, a Previ queria a vaga de volta, mas o executivo resistia. Em junho, a fundação pediu assembleia de acionistas para destituí-lo.
Stieler seguiu resistindo e, em defesa apresentada ao conselho de administração, acusou a fundação de atropelar ritos internos, enfraquecer a governança da companhia e abusar de seu poder de voto.
Procurada, a Previ ainda não se manifestou sobre o tema. Em entrevista há duas semanas, a fundação diz que quer fomentar a independência no conselho da Vale. Por isso, indicou à presidência o conselheiro Manuel Lino Oliveira, conhecido como Ollie, líder dos conselheiros independentes. (Fonte: Folha de SP)
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